Dia 1
Juju Alpaca: Então, ontem eu comprei um CD mó legal, e...
Ser humano (interrompendo) : Ah, eu conheço isso! E já conheço há um tempão..
Dia 2
Juju Alpaca: Vc já ouviu a música tal?
Ser humano: Claro que já. E já ouvi numa versão melhor, MUITO melhor...
Dia 3
Juju Alpaca: Aposto que vc já foi a tal lugar.
Ser humano: O quê?? Eu fui no dia da inauguração!
Dia 4
Juju Alpaca (irritada) : Melhor vc me contar as novas, pois não tenho nenhuma.
Ser humano: Então, pq eu sou muito legal, todos me conhecem, sou isso, sou aquilo...
Vários dias depois:
Ser humano: Será que sou uma pessoa chata?
Juju Alpaca: Eita!
domingo, 18 de fevereiro de 2007
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
A Alpaca de olhos azuis – dai e vos será dado.
Noku seguia pelo rio Knik em busca da alpaca de olhos azuis. Já nem importava-se mais sobre esclarecer a morte de Tuk. Sua honra diante de seus conterrâneos não era mais importante. Não havia mais para quem deixar seu legado. Tô-Mey se fora e agora Noku estava preso a si mesmo. Descia o rio em uma canoa feita por ele mesmo com pedaços de bambu e cipó. Era difícil distinguir da cena, as ondas e os pensamentos de Noku.
Começava a anoitecer e o sol já deixava os vestígios rubros no horizonte das Terras de Dunbar. Foi quando inesperadamente, Noku avistou um rebanho de alpacas sendo levado por um pastor ao seu aprisco. Noku levantou-se subitamente e remou em direção a margem. Ao atracar na margem do rio, o pastor assustou-se com a chegada de tão inesperado visitante, mas por se tratar apenas de um garoto, o pastor não teve medo de lhe dirigir a palavra.
- O que faz por aqui filho?
- Senhor, venho de longe. Já vaguei por muitos lugares a procura de uma alpaca de olhos azuis. Já perdi meus amigos, agora perdi meu irmão e já quase perdi as esperanças.
- Se puder me dizer a verdade filho, poderei ajudá-lo.
- É a mais pura verdade, senhor.
- Como soube da alpaca de olhos azuis, bom menino?
E foi então que Noku contou-lhe toda a história de Tuk e de sua trajetória até as terras de Dunbar
O pastor de alpacas era um homem chamado Yodog e tinha em seus braços as iniciais LCLC tatuadas. Ele havia pastoreado diversos rebanhos de alpacas na sua história quando esteve nas terras inglêsas de Ian G. Ruby Kan.
Ao saber que mais alguém havia visto a alpaca de olhos azuis, suas memórias reviveram-se como um filme mudo rodado em 12 quadros por segundo. Lembrara-se de sua infância e de como a sua busca pela alpaca de olhos azuis o havia levado a glórias e infortúnios em sua vida. Nunca a encontrara, mas aprendeu que a persistência é o caminho para se chegar a vitória, mesmo que não se vença todas as batalhas.
Ao saber de tudo o que se passara com o garoto e dos seus sofrimentos, num ato de generosidade ele extendeu suas mãos ao garoto e mostrou suas tatuagens. Explicou-lhes que aquelas iniciais eram a única evidência de onde encontrar a alpaca de olhos azuis. LCLC significam Los Cornos, Los Chifres, uma referência as montanhas em forma de chifres que marcavam a entrada das terras do Sul. Ele sabia que lá era o único lugar onde ele poderia encontrar a alpaca de olhos azuis, mas advertiu-lhe de que todos os que foram para lá, nunca voltaram.
Noku então pegou sua canoa e seguiu em frente pelo rio Knik. Não pensava mais na advertência de Yodog. A vida não lhe importava mais se não pudesse reencontrar Tô-Mey. Enfrentaria qualquer perigo desde que tivesse a chance de ver seu irmao novamente.
Ao sentar-se na canoa, encontrou um grande embrulho que continha um bocado de soja, um pó branco e um pedaço de madeira com anotações de como trabalhar com aqueles grãos e acrescentar o pó branco para preparar alimentos.
Noku experimentou preparar um pouco daquele mantimento quando chegou próximo a LCLC. Antes de entrar para o desconhecido, decidiu fazer sua última refeição e dormir.
Na manhã seguinte, bem cedo, com o dia ainda escuro, Noku levantou-se. Colocou seus mantimentos na canoa e seguiu rio abaixo. Ao passar por entre os rochedos córneos, uma densa névoa cobria o rio e era quase impossível ver adiante.
A correnteza do rio aumentava e a pequena canoa de Noku começava a se debater contra os rochedos. Noku lutava contra a força das águas para manter a pequena embarcação longe das pedras, pois qualquer choque mais forte poderia quebrá-la.
Após longos minutos de uma dura batalha contra o rio, a agitação das águas passou e Noku viu descortinar-se um tremendo oásis de singular beleza.
Extasiado pela visão que teve, deitou-se na canoa a contemplar os pássaros e a beleza do céu, até que adormeceu novamente.
Do alto do monte, Pílec observava a pequena embarcação e o estranho visitante que se encontrava dentro dela. Quem seria aquela tão jovem criatura e o que queria fazer ali nas terras de Tupac Parampac Clacclac?
Pílec reuniu o povo e foi observar a canoa que lentamente se aproximava das margens. Uma multidão de curiosos começava a aglomerar-se e Pílec adiantou-se em direção a embarcação.
Ao bater contra a margem, Noku despertou e olhou assustado ao redor. Era demais a visão que tinha. Uma imensa multtidão de alpacas de todas as cores e tamanhos o observava. Pensou estar sonhando ou ter morrido e chegado ao fim de sua busca, mas logo Pílec bradou:
- Quem és pequeno humano e o que desejas?
- E..e…eu sou Noku. Venho de uma terra distante e procuro a alpaca de olhos azuis.
- Corscha? Você viu Corscha? A alpaca de olhos azuis?
- Sim… preciso encontrá-la para saber o que aconteceu a Tuk.
- Quem é Tuk?
- Um pastor de cabras que foi morto. A última coisa que ele viu foi a alpaca de olhos azuis.
- Ela fugiu há algum tempo. Ela contrariou os desígnios de nosso grande deus Tupac e sua ira obrigou-a a fugir.
- Onde está este deus Tupac? Será que posso encontrá-lo?
- Quem pensas que és tu garoto, para querer encontrar-se com o grande deus Tupac?
- Sei que não sou muita coisa, mas posso dar-lhes algo em troca, se me levarem a presença de Tupac.
- E o que haveis de dar-nos por esta honra pequeno rapaz?
E foi então que Noku, ao ver a situação de fome dos habitantes das terras do Sul, ensinou-lhes como processar a soja que era abundante naquela terra e a fazer um alimento delicioso. Toda a população aclamou Noku como herói e decidiu levá-lo a presença do grande deus Tupac.
Tupac maravilhou-se do feito de Noku pelo seu povo e resolveu ajudá-lo a encontrar a alpaca de olhos azuis. Noku não sabia que os interesses de Tupac para reencontrá-la eram cruéis, mas de qualquer modo ele precisava fazer isso para reaver seu irmão. Foi então que Tupac o transformou em uma alpaca alegando que somente assim ele seria capaz de alcançar seu objetivo.
Agora Noku era uma alpaca e trabalhava como cozinheiro no palácio de Tupac. Um dia ele sairia em busca da alpaca de olhos azuis.
Começava a anoitecer e o sol já deixava os vestígios rubros no horizonte das Terras de Dunbar. Foi quando inesperadamente, Noku avistou um rebanho de alpacas sendo levado por um pastor ao seu aprisco. Noku levantou-se subitamente e remou em direção a margem. Ao atracar na margem do rio, o pastor assustou-se com a chegada de tão inesperado visitante, mas por se tratar apenas de um garoto, o pastor não teve medo de lhe dirigir a palavra.
- O que faz por aqui filho?
- Senhor, venho de longe. Já vaguei por muitos lugares a procura de uma alpaca de olhos azuis. Já perdi meus amigos, agora perdi meu irmão e já quase perdi as esperanças.
- Se puder me dizer a verdade filho, poderei ajudá-lo.
- É a mais pura verdade, senhor.
- Como soube da alpaca de olhos azuis, bom menino?
E foi então que Noku contou-lhe toda a história de Tuk e de sua trajetória até as terras de Dunbar
O pastor de alpacas era um homem chamado Yodog e tinha em seus braços as iniciais LCLC tatuadas. Ele havia pastoreado diversos rebanhos de alpacas na sua história quando esteve nas terras inglêsas de Ian G. Ruby Kan.
Ao saber que mais alguém havia visto a alpaca de olhos azuis, suas memórias reviveram-se como um filme mudo rodado em 12 quadros por segundo. Lembrara-se de sua infância e de como a sua busca pela alpaca de olhos azuis o havia levado a glórias e infortúnios em sua vida. Nunca a encontrara, mas aprendeu que a persistência é o caminho para se chegar a vitória, mesmo que não se vença todas as batalhas.
Ao saber de tudo o que se passara com o garoto e dos seus sofrimentos, num ato de generosidade ele extendeu suas mãos ao garoto e mostrou suas tatuagens. Explicou-lhes que aquelas iniciais eram a única evidência de onde encontrar a alpaca de olhos azuis. LCLC significam Los Cornos, Los Chifres, uma referência as montanhas em forma de chifres que marcavam a entrada das terras do Sul. Ele sabia que lá era o único lugar onde ele poderia encontrar a alpaca de olhos azuis, mas advertiu-lhe de que todos os que foram para lá, nunca voltaram.
Noku então pegou sua canoa e seguiu em frente pelo rio Knik. Não pensava mais na advertência de Yodog. A vida não lhe importava mais se não pudesse reencontrar Tô-Mey. Enfrentaria qualquer perigo desde que tivesse a chance de ver seu irmao novamente.
Ao sentar-se na canoa, encontrou um grande embrulho que continha um bocado de soja, um pó branco e um pedaço de madeira com anotações de como trabalhar com aqueles grãos e acrescentar o pó branco para preparar alimentos.
Noku experimentou preparar um pouco daquele mantimento quando chegou próximo a LCLC. Antes de entrar para o desconhecido, decidiu fazer sua última refeição e dormir.
Na manhã seguinte, bem cedo, com o dia ainda escuro, Noku levantou-se. Colocou seus mantimentos na canoa e seguiu rio abaixo. Ao passar por entre os rochedos córneos, uma densa névoa cobria o rio e era quase impossível ver adiante.
A correnteza do rio aumentava e a pequena canoa de Noku começava a se debater contra os rochedos. Noku lutava contra a força das águas para manter a pequena embarcação longe das pedras, pois qualquer choque mais forte poderia quebrá-la.
Após longos minutos de uma dura batalha contra o rio, a agitação das águas passou e Noku viu descortinar-se um tremendo oásis de singular beleza.
Extasiado pela visão que teve, deitou-se na canoa a contemplar os pássaros e a beleza do céu, até que adormeceu novamente.
Do alto do monte, Pílec observava a pequena embarcação e o estranho visitante que se encontrava dentro dela. Quem seria aquela tão jovem criatura e o que queria fazer ali nas terras de Tupac Parampac Clacclac?
Pílec reuniu o povo e foi observar a canoa que lentamente se aproximava das margens. Uma multidão de curiosos começava a aglomerar-se e Pílec adiantou-se em direção a embarcação.
Ao bater contra a margem, Noku despertou e olhou assustado ao redor. Era demais a visão que tinha. Uma imensa multtidão de alpacas de todas as cores e tamanhos o observava. Pensou estar sonhando ou ter morrido e chegado ao fim de sua busca, mas logo Pílec bradou:
- Quem és pequeno humano e o que desejas?
- E..e…eu sou Noku. Venho de uma terra distante e procuro a alpaca de olhos azuis.
- Corscha? Você viu Corscha? A alpaca de olhos azuis?
- Sim… preciso encontrá-la para saber o que aconteceu a Tuk.
- Quem é Tuk?
- Um pastor de cabras que foi morto. A última coisa que ele viu foi a alpaca de olhos azuis.
- Ela fugiu há algum tempo. Ela contrariou os desígnios de nosso grande deus Tupac e sua ira obrigou-a a fugir.
- Onde está este deus Tupac? Será que posso encontrá-lo?
- Quem pensas que és tu garoto, para querer encontrar-se com o grande deus Tupac?
- Sei que não sou muita coisa, mas posso dar-lhes algo em troca, se me levarem a presença de Tupac.
- E o que haveis de dar-nos por esta honra pequeno rapaz?
E foi então que Noku, ao ver a situação de fome dos habitantes das terras do Sul, ensinou-lhes como processar a soja que era abundante naquela terra e a fazer um alimento delicioso. Toda a população aclamou Noku como herói e decidiu levá-lo a presença do grande deus Tupac.
Tupac maravilhou-se do feito de Noku pelo seu povo e resolveu ajudá-lo a encontrar a alpaca de olhos azuis. Noku não sabia que os interesses de Tupac para reencontrá-la eram cruéis, mas de qualquer modo ele precisava fazer isso para reaver seu irmão. Foi então que Tupac o transformou em uma alpaca alegando que somente assim ele seria capaz de alcançar seu objetivo.
Agora Noku era uma alpaca e trabalhava como cozinheiro no palácio de Tupac. Um dia ele sairia em busca da alpaca de olhos azuis.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Mais outro dia na vida de uma alpaca pacata pacas
Juju Alpaca (abrindo a porta): Tá aqui, Chefon!
Chefon (sorrindo): Puxa, muito obrigado! Nossa, esse sanduíche é gigante! Assim que é bom!
Chefon (sorrindo e assobiando): E vc que reclama da lanchonete, hein...
Juju Alpaca: Eita!
Chefon (pára de assobiar): Nossa, mas que embalagem difícil de abrir, não?
Juju Alpaca: Eu... hm... veja bem...
Chefon (irritado): Mas que droga de lanchonete!! Não sabem nem fazer uma embalagem direito!!
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Testemunhal de Conversão (Aleluia! Aleluia!)
Sim, eu era um publicitário.
O job entrava, um briefing mal passado, sete horas da noite, quando eu já tinha colocado a carteira no bolso pra ir embora. O atendimento dizia: "vai pra gráfica hoje!" e eu sentava, sim, eu sentava, ligava a máquina, olhava o Orkut e começava a trabalhar.
Sim, irmãos! Vinte e três horas eu ia embora e sonhava com o wobbler. Sim, irmãos!
Por causa das pelancas publicitárias, ia no quilão e só comia mato - "vou perder dez quilos, eu juro!" Enquanto isso as alpacas pastavam, cagavam e cuspiam. Eu idem. A Lusitânia rodando, o mundo girando e a alpaca cuspindo. Eu era drogado (dois maços de Malboro por dia), prostituído (publicitário) e mal pago. Quase uma Christiane F, mas sem a parte da putaria.
Hoje sou uma alpaca, irmãos! Aleluia! Aleluia! Fiz um curso de comissário de bordo mas não deu certo, fiz o caminho de Santiago, mas haviam bares demais no caminho; hoje eu sou uma alpaca!
De ruim só a tosa.
O job entrava, um briefing mal passado, sete horas da noite, quando eu já tinha colocado a carteira no bolso pra ir embora. O atendimento dizia: "vai pra gráfica hoje!" e eu sentava, sim, eu sentava, ligava a máquina, olhava o Orkut e começava a trabalhar.
Sim, irmãos! Vinte e três horas eu ia embora e sonhava com o wobbler. Sim, irmãos!
Por causa das pelancas publicitárias, ia no quilão e só comia mato - "vou perder dez quilos, eu juro!" Enquanto isso as alpacas pastavam, cagavam e cuspiam. Eu idem. A Lusitânia rodando, o mundo girando e a alpaca cuspindo. Eu era drogado (dois maços de Malboro por dia), prostituído (publicitário) e mal pago. Quase uma Christiane F, mas sem a parte da putaria.
Hoje sou uma alpaca, irmãos! Aleluia! Aleluia! Fiz um curso de comissário de bordo mas não deu certo, fiz o caminho de Santiago, mas haviam bares demais no caminho; hoje eu sou uma alpaca!
De ruim só a tosa.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
A Alpaca de olhos azuis – O mundo é complicado demais
A fome já abatia os dois pequenos viajantes. Desde que deixaram sua cidade em busca de uma lenda que nem sabiam ser verdade, já haviam passado por muitas cidades, nem sempre hospitaleiras com os pequeninos estranhos.
Por que será que é tão difícil para as pessoas aceitarem o desconhecido? – pensavam eles – mesmo se trantando apenas de duas crianças.
Noku parecia apreensivo. Não parava de pensar em como encontrar a alpaca de olhos azuis para desvendar o mistério da morte de Tuk e recuperar sua honra. Não sabia por onde começar, ficava remoendo seus pensamentos, tentando lembrar das últimas palavras de Tuk, como um quebra cabeça de peças pequenas, difíceis de se enxergar.
Semanas atrás, antes de deixarem sua Terra Natal, Tô-Mey e Noku preparavam seus apetrechos para a viagem. Quando Tô-Mey foi buscar algumas peles de cabra para se agasalharem, encontrou um pedaço de pele de cabra desidratada onde havia diversas anotações. Porém, Tô-Mey não sabia ler. Deu de ombros e juntou a pele com as demais que havia pego.
Ao chegarem ao rio Knik, próximo a Dunbar, nossos viajantes acamparam para que pudessem preparar algo para comer e descansarem um pouco antes de seguirem a viagem. Quando não se sabe para onde vai, qualquer lugar é destino. Portanto, decidiram começar pelo Sul do continente, prevendo que com a chegada do inverno, talvez as alpacas migrassem para lá.
Ao desembrulharem o pacote de peles, qual foi a surpresa de Noku ao encontar as anotações de Tuk escondidas sob as peles de cabra.
Noku voltou-se para Tô-Mey. Seu rosto transmitia um certo desgosto. Por um momento, pensou estar sendo traído pelo próprio irmão. Há tempos procurava por aquele documento que estava de posse do pequeno Tô-Mey.
O garoto sequer fazia idéia do que aquilo significava. Como ele poderia imaginar o valor daquele pedaço de pele? Mas Noku não aceitava facilmente um pedido de desculpas. Virou-se para seu pequeno irmão e disse-lhe coisas que feriram sua alma. Deixou-o ali mesmo com suas coisas e se dirigiu para a parte mais alta do rio. Ali montou seu acampamento e fez sua própria comida, enquanto o pequeno Tô-Mey tentava armar sua barraca. Porém, por ser ainda muito pequeno, mal conseguiu cuidar de si mesmo naquela noite.
Noku não dormiu. Passou a noite analisando as palavras de Tuk escritas naquele pedaço de couro. Pensou, pensou e pensou, mas nada naquele documento parecia fazer sentido para o que ele precisava descobrir. Finalmente, quase ao amanhecer, adormeceu.
Tô-Mey levantou-se cedo, estava faminto. Foi até a barraca de Noku tentar fazer as pazes com o irmão. Surpreso, viu que o irmão ainda dormia e decidiu tentar ajudar. Foi preparar-lhe algo para o café. Misturou o restante do pó de café que tinha, colheu algumas folhas do caminho, subiu até o outro lado para ver se encontrava alguma raíz boa para comer e voltou, após algumas horas, exausto.
Atônito, Tô-Mey viu que seu irmão Noku despertara e se foi. Tô-Mey desesperado, chorou amargamente. Pegou seus pertences e o pedaço de pele de cabra deixado pelo seu irmão. Dirigiu-se para uma plantação próxima onde pensou que faria sua última refeição e morreria enrolado na pele de cabra que o separara de seu único parente.
No dia seguinte, pela manha, Tô-Mey foi encontrado quase a morte por um agricultor. Ele tratou de suas feridas e lhe deu comida. O bom agricultor era um homem de bem e disse a Tô-Mey que teve uma visão, na qual ele encontraria em um garoto, o destino de sua vida e que como recompensa, este garoto teria muita riqueza.
O agricultor disse que as palavras escritas naquela pele de cabra eram o segredo para muitas questões na vida e que seu destino estava traçado. Ele pregaria ao mundo sobre aquelas palavras.
O agricultor pegou aquele pedaço de pele de cabra e se foi. Antes de partir, disse ao garoto que levasse aquela bebida que ele havia feito para sua refeição a vinícola da cidade. O proprietário da vinícola queria saber a fórmula daquela iguaria para reproduzí-la em escala. Mais tarde, essa iguaria se tornaria o famoso refrigerante Noku (em homenagem a seu irmão) e Tô-Mey um mega empresário do ramo de bebidas.
Quanto ao agricultor, este seguiu seu caminho. Antes de se despedirem, Tô-Mey perguntou-lhe:
- Como é seu nome, bom senhor?
- Maomé, meu filho. Vá em paz por estas montanhas.
E este foi o destino de Tô-Mey…
Quanto a Noku, ele não havia abandonado o irmão. Havia ido banhar-se no rio e tentar pescar alguma coisa para ambos comerem. No fim, havia se dado conta de que o irmão não era culpado. Mas nunca mais teve a chance de pedir desculpas a seu irmão.
Seguiu amargurado em sua busca da alpaca de olhos azuis. Quem sabe ela poderia trazer-lhe seu irmão de volta.
Continua...
Por que será que é tão difícil para as pessoas aceitarem o desconhecido? – pensavam eles – mesmo se trantando apenas de duas crianças.
Noku parecia apreensivo. Não parava de pensar em como encontrar a alpaca de olhos azuis para desvendar o mistério da morte de Tuk e recuperar sua honra. Não sabia por onde começar, ficava remoendo seus pensamentos, tentando lembrar das últimas palavras de Tuk, como um quebra cabeça de peças pequenas, difíceis de se enxergar.
Semanas atrás, antes de deixarem sua Terra Natal, Tô-Mey e Noku preparavam seus apetrechos para a viagem. Quando Tô-Mey foi buscar algumas peles de cabra para se agasalharem, encontrou um pedaço de pele de cabra desidratada onde havia diversas anotações. Porém, Tô-Mey não sabia ler. Deu de ombros e juntou a pele com as demais que havia pego.
Ao chegarem ao rio Knik, próximo a Dunbar, nossos viajantes acamparam para que pudessem preparar algo para comer e descansarem um pouco antes de seguirem a viagem. Quando não se sabe para onde vai, qualquer lugar é destino. Portanto, decidiram começar pelo Sul do continente, prevendo que com a chegada do inverno, talvez as alpacas migrassem para lá.
Ao desembrulharem o pacote de peles, qual foi a surpresa de Noku ao encontar as anotações de Tuk escondidas sob as peles de cabra.
Noku voltou-se para Tô-Mey. Seu rosto transmitia um certo desgosto. Por um momento, pensou estar sendo traído pelo próprio irmão. Há tempos procurava por aquele documento que estava de posse do pequeno Tô-Mey.
O garoto sequer fazia idéia do que aquilo significava. Como ele poderia imaginar o valor daquele pedaço de pele? Mas Noku não aceitava facilmente um pedido de desculpas. Virou-se para seu pequeno irmão e disse-lhe coisas que feriram sua alma. Deixou-o ali mesmo com suas coisas e se dirigiu para a parte mais alta do rio. Ali montou seu acampamento e fez sua própria comida, enquanto o pequeno Tô-Mey tentava armar sua barraca. Porém, por ser ainda muito pequeno, mal conseguiu cuidar de si mesmo naquela noite.
Noku não dormiu. Passou a noite analisando as palavras de Tuk escritas naquele pedaço de couro. Pensou, pensou e pensou, mas nada naquele documento parecia fazer sentido para o que ele precisava descobrir. Finalmente, quase ao amanhecer, adormeceu.
Tô-Mey levantou-se cedo, estava faminto. Foi até a barraca de Noku tentar fazer as pazes com o irmão. Surpreso, viu que o irmão ainda dormia e decidiu tentar ajudar. Foi preparar-lhe algo para o café. Misturou o restante do pó de café que tinha, colheu algumas folhas do caminho, subiu até o outro lado para ver se encontrava alguma raíz boa para comer e voltou, após algumas horas, exausto.
Atônito, Tô-Mey viu que seu irmão Noku despertara e se foi. Tô-Mey desesperado, chorou amargamente. Pegou seus pertences e o pedaço de pele de cabra deixado pelo seu irmão. Dirigiu-se para uma plantação próxima onde pensou que faria sua última refeição e morreria enrolado na pele de cabra que o separara de seu único parente.
No dia seguinte, pela manha, Tô-Mey foi encontrado quase a morte por um agricultor. Ele tratou de suas feridas e lhe deu comida. O bom agricultor era um homem de bem e disse a Tô-Mey que teve uma visão, na qual ele encontraria em um garoto, o destino de sua vida e que como recompensa, este garoto teria muita riqueza.
O agricultor disse que as palavras escritas naquela pele de cabra eram o segredo para muitas questões na vida e que seu destino estava traçado. Ele pregaria ao mundo sobre aquelas palavras.
O agricultor pegou aquele pedaço de pele de cabra e se foi. Antes de partir, disse ao garoto que levasse aquela bebida que ele havia feito para sua refeição a vinícola da cidade. O proprietário da vinícola queria saber a fórmula daquela iguaria para reproduzí-la em escala. Mais tarde, essa iguaria se tornaria o famoso refrigerante Noku (em homenagem a seu irmão) e Tô-Mey um mega empresário do ramo de bebidas.
Quanto ao agricultor, este seguiu seu caminho. Antes de se despedirem, Tô-Mey perguntou-lhe:
- Como é seu nome, bom senhor?
- Maomé, meu filho. Vá em paz por estas montanhas.
E este foi o destino de Tô-Mey…
Quanto a Noku, ele não havia abandonado o irmão. Havia ido banhar-se no rio e tentar pescar alguma coisa para ambos comerem. No fim, havia se dado conta de que o irmão não era culpado. Mas nunca mais teve a chance de pedir desculpas a seu irmão.
Seguiu amargurado em sua busca da alpaca de olhos azuis. Quem sabe ela poderia trazer-lhe seu irmão de volta.
Continua...
Mais um dia na vida de uma alpaca pacata pacas
Chefon (enquanto bebe água de torneira): Hoje o dia está corrido. A prioridade é um outro trabalho que vou te passar. Pode anotar?
Juju Alpaca: Manda!
Chefon (enquanto bebe água de torneira): Vc precisa procurar os bordões do Futema Mutema que vou usar no programa.
Juju Alpaca: Beleza.
Chefon (enquanto bebe água de torneira): Também quero a Coisa 1, Coisa 2, Coisa 3 e Coisa 4.
Juju Alpaca (pensando) : Mas qual é a p*##@ da prioridade, então??
Chefon (enquanto bebe água de torneira): Essa água é boa mesmo! Ainda bem que não é de torneira!
Juju Alpaca: Manda!
Chefon (enquanto bebe água de torneira): Vc precisa procurar os bordões do Futema Mutema que vou usar no programa.
Juju Alpaca: Beleza.
Chefon (enquanto bebe água de torneira): Também quero a Coisa 1, Coisa 2, Coisa 3 e Coisa 4.
Juju Alpaca (pensando) : Mas qual é a p*##@ da prioridade, então??
Chefon (enquanto bebe água de torneira): Essa água é boa mesmo! Ainda bem que não é de torneira!
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
A Alpaca de olhos azuis - O caos moral de uma sociedade desinformada
Os três garotos entraram na caverna escura. Pareciam ter ouvido alguém murmurar de dentro da caverna.
- Noku, acho que vi alguma coisa.
- O que foi Kiwa? – disse Noku.
- Cadê o Tô-Mah?
- Estou aqui – disse Tô-Mah.
- Vocês viram o que eu vi?
- Parece que tem alguém la no fundo.
- Vamos até lá pra ver.
- Eu não…vocês estão loucos?
- Tá com medo, Noku?
- Noku não teme nada. Mas é que…
- Então vamos.
Eles estavam apavorados, mas nenhum deles conseguia resistir a curiosidade de saber o que estava fazendo aquele barulho. Kiwa, Tô-Mah e Noku eram amigos de infância e sempre brincavam próximo das cavernas, porém, nunca entraram nelas. Conselho de seus pais, com aquelas velhas histórias de que algo ruim poderia acontecer.
Nunca se separavam. Porém, Kiwa e Tô-Mah viviam metendo Noku em encrencas. Certa vez, durante as festividades das alpacas peladas, colocaram alcool no lugar da água dos animais e o campeonato de cuspe resultou num incêndio tremendo. Como era Noku quem cuidava dos animais, acabou sendo castigado com 30 rabadas de cabra nos lombos.
Ao entrar na caverna, nada sentiram a não ser o cheiro de algo parecido com leite e ervas, talvez resultado do limbo que corria pelas paredes. Estavam chegando ao fundo da caverna quando:
- Alguém agarrou minha perna! – gritou Noku.
- Ah, deixe de piada Noku.
- Venham aqui, vejam.
Lá estava Tuk, caído com sua flauta agarrada ao peito. Os três garotos não sabiam o que fazer, porém, parecia não haver muita esperança para o homem deitado no chão.
- Preciso de vocês garotos… - disse Tuk.
- O que podemos fazer? – disse Noku.
- Precisam avisar a aldeia. Descobri algo fabuloso, mas acho que não terei tempo de contar a aldeia. Descobri um manjar. Um manjar dos deuses, mas comi tanto que os deuses me castigaram. Fui atacado por um monstro, mas nem consegui ver como era. Vocês precisam sair daqui rápido. Sinto que me resta pouco tempo.
- O que faremos, Noku? – Exclamaram Kiwa e Tô-Mah.
- Vamos levá-lo para a aldeia.
- Não, não há mais tempo. – disse Tuk - Vocês precisam me escutar. Conheci o mais belo dos animais. Uma alpaca gigante, cuja beleza dos olhos e dos pêlos me enfeitiçou. Ela me trouxe até aqui e me mostrou este lugar. Se vocês a encontrarem, talvez encontrem as respostas que procuram.
- Não estamos entendendo…
- Não há mais tempo. Preciso que vocês mostrem ao povo da cidade esta descoberta. Tomem, levem isto ao povo. Levem também minha flauta e as minhas anotações.
- Pegamos tudo, mas onde estão suas anotações, Tuk?
- Elas estão num pedaço de pele de cabra. Ele estava comigo, mas acho que o perdi.
- Vamos levá-lo para a aldeia.
- Não há mais tempo…
E foi assim que Tuk faleceu.
Os três garotos voltaram correndo assustados para a aldeia. Ao chegarem lá, seus pais já estavam atordoados diante do fato deles terem desaparecido por tando tempo.
Ao contarem o acontecido, as autoridades solucionaram o caso do desaparecimento de Tuk e responsabilizaram os três garotos pela morte do pastor de cabras.
Os médicos da tribo encontram em Tuk uma quantidade enorme de esperma de Alpaca. Diversas lacerações no ânus e deduziram então que Tuk teria sido submetido a algum ritual imoral e satânico e culparam os três garotos pelo tal feito.
Kiwa, Tô-Mah e Noku foram castigados em praça pública. Tiveram suas cabeças raspadas e levaram 80 rabadas de cabra cada um.
Após serem expostos a vergonha pública, Kiwa e Tô-Mah se isolaram num mosteiro Tibetano. Já Noku, partiu em busca da Alpaca de olhos azuis junto com seu irmão Tô-Mey, que mais tarde se tornaria dono de uma famosa marca de refrigerantes.
Continua…
- Noku, acho que vi alguma coisa.
- O que foi Kiwa? – disse Noku.
- Cadê o Tô-Mah?
- Estou aqui – disse Tô-Mah.
- Vocês viram o que eu vi?
- Parece que tem alguém la no fundo.
- Vamos até lá pra ver.
- Eu não…vocês estão loucos?
- Tá com medo, Noku?
- Noku não teme nada. Mas é que…
- Então vamos.
Eles estavam apavorados, mas nenhum deles conseguia resistir a curiosidade de saber o que estava fazendo aquele barulho. Kiwa, Tô-Mah e Noku eram amigos de infância e sempre brincavam próximo das cavernas, porém, nunca entraram nelas. Conselho de seus pais, com aquelas velhas histórias de que algo ruim poderia acontecer.
Nunca se separavam. Porém, Kiwa e Tô-Mah viviam metendo Noku em encrencas. Certa vez, durante as festividades das alpacas peladas, colocaram alcool no lugar da água dos animais e o campeonato de cuspe resultou num incêndio tremendo. Como era Noku quem cuidava dos animais, acabou sendo castigado com 30 rabadas de cabra nos lombos.
Ao entrar na caverna, nada sentiram a não ser o cheiro de algo parecido com leite e ervas, talvez resultado do limbo que corria pelas paredes. Estavam chegando ao fundo da caverna quando:
- Alguém agarrou minha perna! – gritou Noku.
- Ah, deixe de piada Noku.
- Venham aqui, vejam.
Lá estava Tuk, caído com sua flauta agarrada ao peito. Os três garotos não sabiam o que fazer, porém, parecia não haver muita esperança para o homem deitado no chão.
- Preciso de vocês garotos… - disse Tuk.
- O que podemos fazer? – disse Noku.
- Precisam avisar a aldeia. Descobri algo fabuloso, mas acho que não terei tempo de contar a aldeia. Descobri um manjar. Um manjar dos deuses, mas comi tanto que os deuses me castigaram. Fui atacado por um monstro, mas nem consegui ver como era. Vocês precisam sair daqui rápido. Sinto que me resta pouco tempo.
- O que faremos, Noku? – Exclamaram Kiwa e Tô-Mah.
- Vamos levá-lo para a aldeia.
- Não, não há mais tempo. – disse Tuk - Vocês precisam me escutar. Conheci o mais belo dos animais. Uma alpaca gigante, cuja beleza dos olhos e dos pêlos me enfeitiçou. Ela me trouxe até aqui e me mostrou este lugar. Se vocês a encontrarem, talvez encontrem as respostas que procuram.
- Não estamos entendendo…
- Não há mais tempo. Preciso que vocês mostrem ao povo da cidade esta descoberta. Tomem, levem isto ao povo. Levem também minha flauta e as minhas anotações.
- Pegamos tudo, mas onde estão suas anotações, Tuk?
- Elas estão num pedaço de pele de cabra. Ele estava comigo, mas acho que o perdi.
- Vamos levá-lo para a aldeia.
- Não há mais tempo…
E foi assim que Tuk faleceu.
Os três garotos voltaram correndo assustados para a aldeia. Ao chegarem lá, seus pais já estavam atordoados diante do fato deles terem desaparecido por tando tempo.
Ao contarem o acontecido, as autoridades solucionaram o caso do desaparecimento de Tuk e responsabilizaram os três garotos pela morte do pastor de cabras.
Os médicos da tribo encontram em Tuk uma quantidade enorme de esperma de Alpaca. Diversas lacerações no ânus e deduziram então que Tuk teria sido submetido a algum ritual imoral e satânico e culparam os três garotos pelo tal feito.
Kiwa, Tô-Mah e Noku foram castigados em praça pública. Tiveram suas cabeças raspadas e levaram 80 rabadas de cabra cada um.
Após serem expostos a vergonha pública, Kiwa e Tô-Mah se isolaram num mosteiro Tibetano. Já Noku, partiu em busca da Alpaca de olhos azuis junto com seu irmão Tô-Mey, que mais tarde se tornaria dono de uma famosa marca de refrigerantes.
Continua…
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